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19-11-2009 - 09:18
Envelhecimento activo na população idosa foi tema de debate

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É o caso de Vila Flor, onde segundo Vera Teixeira, coordenadora da Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC) do Centro de Saúde local, não existem praticamente situações graves de isolamento dos idosos.
“Aqui no concelho as pessoas já começam a ter a ideia de que se pode envelhecer activamente porque nós vamos transmitindo isso aos nossos utentes. Não concordo com a ideia de que eles estão isolados e de que não nos deixam chegar até eles”, afirma a responsável, acrescentando que “falar de uma problemática de isolamento em Vila Flor não faz sentido”, uma vez que os idosos se mostram receptivos às actividades que lhes são propostas.
O trabalho de inclusão dos idosos na vida activa tem vindo a ser facilitado com a criação da Unidade de Cuidados na Comunidade. Constituída por um leque de profissionais abrangente, tem como um dos principais objectivos conseguir consciencializar a população para a importância do envelhecimento activo.
“A nossa pretensão como técnicos de saúde é preparar o idoso para que ele tenha uma qualidade de vida o melhor possível enquanto puder, sempre dentro das capacidades de cada um. Cada pessoa é única e cada um é que vai decidir como será o seu melhor envelhecimento. Se nós tentarmos proporcionar eventos onde eles sejam activos e sejam motivados a participar, eles vão adquirindo estes hábitos e quando chegarem a uma fase menos activa da sua vida é mais fácil aderirem a este tipo de eventos e quererem participar”, assegurou Vera Teixeira.
Os profissionais da UCC fazem o levantamento das necessidades e um diagnóstico de situação que permite, posteriormente, elaborar um plano de intervenção específico para cada grupo de idosos.
Para aqueles que têm necessidade de cuidados diários, a oferta em Vila Flor também existe na figura de quatro lares a cargo da Santa Casa da Misericórdia, à qual Artur Pimentel, autarca do concelho, não poupa elogios.
“A Santa Casa da Misericórdia tem desempenhado um papel fundamental no cuidado com os idosos. Existem aqui quatro lares e o apoio domiciliário também já está espalhado a todas as freguesias do concelho. Em Vila Flor estamos recheados de instituições que servem os idosos e temos também o Centro de Saúde, que de há quatro anos para cá tem um determinado número de técnicos que estão a formar uma equipa multidisciplinar que vai ser muito útil para o concelho”, frisou.
No concelho vizinho, Alfândega da Fé, a recente eleita autarca Berta Nunes, pretende implementar uma rede de instituições nas freguesias, fazendo com que desapareçam os grandes e impessoais lares da terceira idade.
“O ideal era que de facto os idosos pudessem morrer onde nasceram porque muito poucos quererão morrer num lar de terceira idade, longe da família, longe dos seus vizinhos. É esse modelo que eu gostaria de experimentar em Alfândega da Fé, um modelo que respondesse às necessidades actuais e futuras, um modelo de prestação de cuidados diferente, de modo a não os desenraizar. É preciso inventar novas formas de cuidar dos nossos idosos”, afirmou a também ex-directora executiva do Agrupamento de Centros de Saúde do Nordeste.
A ideia passa por criar um equipamento flexível, que possa dar respostas de acordo com aquilo que os idosos de cada freguesia necessitassem.
“É evidente que teríamos de contar com todas as instituições que estão já no terreno e teria que ser um trabalho feito em rede. Não vamos de repente dizer que os lares não fazem falta, porque eles estão cheios, têm lista de espera e fazem falta, mas partindo do que temos começar a construir um modelo novo”, acrescentou Berta Nunes.
Se não se pode impedir o envelhecimento da população, ainda se pode provar que em Trás-os-Montes nem toda a gente envelhece sozinha, sentada à lareira a ver a lenha a queimar.

