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19-11-2009 - 09:24
“Páre, Escute, Olhe” quer chamar a atenção para a Linha do Tua

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Para muitos essa sentença acabou com o rumo ao desenvolvimento e acentuou as assimetrias entre o litoral e o interior de Portugal. Agora, o que resta da linha é ameaçado pela construção de uma barragem que vai inundar aquela que é considerada uma das três mais bonitas linhas ferroviárias da Europa.
“Páre, Escute, Olhe”, de Jorge Pelicano, pretende ser uma viagem através de um Portugal esquecido, retratado pelos 133 quilómetros que separam a cidade de Bragança do Tua.
Tendo a linha do Tua como fio condutor, o documentário comporta duas realidades, o troço desactivado e o troço activo.
No primeiro, o comboio já não circula, os autocarros que vieram substituir os comboios desapareceram, e as aldeias surgem sem um único transporte público, isoladas.
No troço activo, destaca-se o anúncio da construção de uma barragem no Foz Tua, encaixada num património natural e ambiental único, que ameaça o que resta da linha centenária.
“É importante levantar a questão do Tua, o Tua precisa que falem dele e que lhe dêem a atenção que merece. Nós queríamos retratar o despovoamento e como tínhamos conhecimento que sucessivamente têm sido desactivadas imensas linhas de caminho de ferro quisemos pegar nisso. Investigámos e tivemos conhecimento que em 1992 pela noite foram retirar as automotoras de Bragança alegando que seria para manutenção e até hoje não foram repostas. E essa noite do roubo revoltou-nos e fez-nos ficar por aqui”, explicou Rosa Teixeira da Silva, que ajudou a realizar o documentário.
“Páre, Escute, Olhe” é um documentário interventivo, feito num registo diferente que já levantou vozes críticas, mas que ainda assim não deixou de vencer seis prémios em dois festivais portugueses este ano.
“Para se fazer um documentário cinematográfico não há uma fórmula certa, é preciso retratar a realidade e passá-la o mais eficazmente às pessoas. Não estávamos à espera de ter um reconhecimento tão grande no mesmo fim-de-semana em que estava em dois festivais a concurso. É um facto que nós trabalhámos tendo em conta todas as vertentes, a história, a imagem, a fotografia, o tratamento de som, portanto sabiamos que tínhamos hipóteses mas não estávamos à espera de ganhar seis prémios”, confessa Rosa Teixeira da Silva.
Depois de dois anos e meio de trabalho e de viagens entre Bragança e o Tua, o documentário estará em Janeiro pronto para entrar nas salas de cinema e levar a Linha do Tua a todo o país.
No mesmo dia em que foi apresentado em Mirandela, foi também lançado um Manifesto pela preservação do património do Vale do Tua, que incluiu não só as razões para dizer “não” à barragem do Foz Tua, como também propostas para um futuro sustentável do Vale e da Linha. O Manifesto seguirá para o Ministério do Ambiente, Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Ministério da Economia e ainda para o Primeiro-Ministro, José Sócrates.
Iniciou-se também um abaixo-assinado contra a construção da barragem que irá ser disponibilizado online.

