Nota de imprensa relativa à apresentação da 29ª edição do Festival Maré de Agosto.
Carta de uma Mãe.
Mê querido filho,
Ponho-te estas poucas linhas para saberes que estou viva. Escrevo-te devagar, porque sei que não consegues ler depressa. Se receberes esta carta, é porque chegou. Se ela não chegar, Avisa-me que eu mando-te outra.
Tê pai leu no jornal que a maioria dos acidentes ocorre a um quilómetro de casa. Assim, vamo-nos mudar para mais longe.
Sobre o casaco que querias, o tê tio disse que seria muito caro mandar-to pelo correio, por causa dos botões de ferro que pesam muito. Assim arranquei os botões e puse-os no bolso. Quando chegar aí prega-os de novo.
No outro dia houve uma explosão na botija de gás aqui na cozinha. Tê pai e eu fomos atirados pelo ar e caímos fora de casa. Foi a primeira vez em muitos anos que saímos juntos!
O nosso cão Joli anteontem foi atropelado e tiveram de lhe cortar o rabo. Toma cuidado quando atravessares a rua.
Na semana passada o médico veio visitar-me e pôs na minha boca um tubo de vidro e disse para ficar com ele duas horas sem falar:
O tê pai foi logo comprar outro.
Se vires a D. Esmeralda, diz-lhe que mando lembranças. Se não vires não lhe digas nada.
Adeus. Tua Mãe.
M.F.
“Enviado por Jose S. Barbosa, dos E.U.A.”