
Este mês deixo-os com uma conversa entre silvenses que, apesar de ficcionada, bem podia ter acontecido em qualquer café do concelho. Desejo a todos um ano 2010 cheio de sucesso e espero que, daqui a um ano, Silves seja um concelho melhor em todos os sentidos.

Está angustiando, angustiando por aí...Mas o quê? Não são as centenas de desempregados... Ora agora... Sim, a quase certeza do fim de um ciclo económico, velhaco, desumano para milhões de seres humanos. Gerou delírio de ambição, de venda e compra até de dinheiro, de almas, sei lá que mais...e, em contrapartida, provocando fome, fomes, vidas não vividas, arrastadas, frustradas, por erradas e injustas formas organizativas da sociedade, das sociedades.

Crise é uma palavra recorrente mas tragicamente perceptível. Nas televisões, nos jornais, na opinião dos comentadores, na comunicação social, não se ouve falar de outra coisa senão da crise.
Na realidade, o quotidiano da grande massa da população portuguesa é flagelado pelos dramáticos efeitos da crise. Para além dos 2 milhões de pessoas que sobrevivem no limiar da pobreza que não abona em favor do regime democrático e da justiça social - cerca de 20 por cento da população portuguesa -, as famílias sentem na pele os terríveis horrores do desemprego, fenómeno que as desestruturam e as atiram para o desespero e a ausência de perspectivas de vida.

