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Saudar,a equipa Terra Ruiva,e desde england,desejar as maiores felicidades,e que desenvolvam esforços no sentido de mobilizar as pessoas para que a reabertura da Sociedade de S.Marcos se faça rapidamente para bem de todos,aquela Sala fechada é um ate (...)
autor: jose silverio nunes
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08-02-2010 - 14:36

ano novo - gloria in excelsis deo


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falam do natal como se o natal não fosse um dia igual a qualquer outro .sim ,porque todos os dias nascem e morrem crianças em qualquer parte do mundo .umas crescem e são as histórias da História .outras são as histórias que a História cala .mas para todas ,o seu dia ,é natal


falar de natal é falar de nascimento .primeiro lugar comum que não gosto


por isso ,obrigo.me a falar do que ainda ninguém ousou .pura presunção .claro ,que não sou capaz ,porque não saberei inventar o impensável .começo ,todavia ,a aborrecer.me ao sentir.me uma máquina parideira de textos .não sei porque continuo a escrever .mas sei que as palavras crescem na minha cabeça e se as não transformo em caracteres ,rebento ,no minuto subsequente ao pensamento


hei.de morrer por congestão cerebral de palavra


morte lindíssima para um vagabundo como eu .não verterei uma lágrima - desperdício de água - pela minha morte ,do mesmo modo que não consentirei a gargalhada .sei que os filantropos do choro regozijarão com o dobrar dos sinos .esquecem.se ,porém ,que ,nesse minuto e hora ,verterei ,pelas gárgulas da Sé ,um te deum de júbilo por todos os imbecis e levarei ,apostados nas duas mãos ,os modilhos que lhes fui copiando ao longo da existência


conheci seres obtusos e obturei.me .revi.me em mulheres invulgares e invulgarizei.me .sofri por homens sublimes e sublimei.me ,e ,quando tudo começava a ter sentido ,percebi que o nonsense era a única saída viável .não hesitei .transformei.me na centopeia que oscila entre levantar o lombo e avançar com as sessenta primeiras patas ,enquanto as demais apressam.se em fazer marcha.atrás


revejo.me no descalabro dos impérios construídos ,e ,ao contrário da revolução humana ,acredito na evolução dos primatas ,senhores de algumas cidadanias hodiernas


consinto.me no paralelo zero


entre dois natais


faço o balanço dos dias e das semanas e dos meses e dos anos .revejo os trilhos que ousei percorrer ,sem perceber que ,um dia ,vou pretender olhar o espelho e a vida .o espelho teima em reflectir imagens .foscas .são a linguagem da criança que ousa segredar.me .mas o signo está inscrito no espelho .carece ,apenas ,que eu o descodifique .passo ,uma mão ,suavemente ,pelo cabelo e a criança ,reflectida ,responde.me ,como se a minha mão fosse a ponte entre si e mim .de que signo falamos nós?


gémeos? peixes? aquário?


nada que os doze signos do zodíaco possam materializar .antes o pequeno ser que ,agora ,se encosta à minha secretária / o reflexo da imagem espelhada


é natal ,dia de reis ou dos homens honrados .estipularam com datas precisas .25 de Dezembro .6 de Janeiro


tento dar forma ao ridículo .interrompo.me por segundos .vejo o sinal proibido do que teima ,e bem ,questionar a relevância do que escrevo .fanfarronice .pura vaidade .puro narcisismo .talvez .mas mesmo assim ,insisto em escrever uma veborreia de palavras que ,vomitadas ,vão criando círculos à minha volta.


sou o vómito de mim e gosto


gloria in excelsis deo


preparo.me para mergulhar no novo ano .se me afogar ,por favor ,não mandem acendar velas .sou alérgica ao cheiro da vela .ao fumo da vela .à cor da vela .a mim ... e a minha alergia é contagiante


alegria? que infamante dislexia!

Autor: Gabriela Rocha Martins
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