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| Vale do Sousa
5 médicos do Hospital de Penafiel acusados de não cumprirem procedimentos clínicos no caso da jovem que faleceu vítima de um tumor cerebral nunca diagnosticado
05/05/2017, 15:14

Cinco médicos do Hospital Padre Américo, em Penafiel, estão acusados pelo Ministério Público (MP) do crime de violação das leges artis, na sequência da morte de Sara Moreira, que faleceu vítima de um tumor cerebral nunca diagnosticado. Para o MP, os clínicos não cumpriram os procedimentos habituais em oito das dez vezes que a rapariga de 19 anos foi observada na urgência desta unidade do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS).

O crime que recai sobre os médicos não é mais grave, porque, diz o procurador, segundo parecer do Instituto Medicina Legal, "a taxa de sobrevivência a estes tumores [de que padecia Sara] é apenas de 5%". "A própria consulta efetuada ao Conselho Médico-Legal [que defende que os médicos deviam ter realizado uma TAC ou uma ressonância magnética] refere que o diagnóstico atempado do tumor poderia apenas ter aumentado o tempo de sobrevivência de Sara Daniela. Daí que não se possa falar em nexo de causalidade entre a falta de diagnóstico dos médicos e o resultado morte", justifica o magistrado.
Mesmo assim, segundo a acusação consultada, os médicos tiveram uma "atitude ético-profissional de descuido ou leviandade face às queixas, sintomas e historial clínico de Sara, não tendo agido de acordo com os protocolos médicos e conhecimento científico disponível". Também não tiveram "o cuidado de mandar realizar os exames de diagnóstico complementar que se impunham", o que os levou a falhar "o diagnóstico de tumor de que a doente padecia". Tumor que, "se descoberto em tempo, permitiria um tratamento adequado com prolongamento de sobrevida e melhoria da qualidade de vida da doente".
O MP alega, ainda, que "Sara Daniela foi examinada repetidamente pelos arguidos, sem que nunca, porém, qualquer um dos médicos que a examinou tenha, de acordo com os conhecimentos da medicina e com os cuidados e diligências a que estava obrigado, sequer ordenado a realização de exames complementares de diagnóstico adequados".
Entre os cinco médicos acusados, um observou três vezes a rapariga que morreu em janeiro de 2013 e responde, por isso, por três crimes de violação das leges artis. Pela mesma razão, outro clínico enfrenta uma acusação de dois crimes. "Não atuou conforme os protocolos médicos existentes e desvalorizou as queixas da paciente, à qual atribuiu diagnóstico de 'provável perturbação de ansiedade'", lê-se na acusação. O MP frisa, igualmente, que os arguidos agiram "sem o cuidado a que estavam obrigados e eram capazes pelos especiais conhecimentos que como médicos deviam possuir, não tendo adotado uma conduta e diligência médias, expectáveis de um médico com experiência mediana colocado perante aquele concreto doente".
Já os médicos que observaram Sara nas primeiras duas vezes em que esta foi à Urgência do Hospital Padre Américo não foram acusados. A falta de um historial clínico e as queixas então apresentadas provam que não houve "atuação negligente".


Só autópsia revelou tumor


Sara tinha 16 anos quando, em fevereiro de 2010, foi pela primeira vez à Urgência do Hospital Padre Américo. Já em 2012, teve necessidade de, em sete ocasiões, dirigir-se a mesma unidade de saúde, à qual voltou mais duas vezes no início de 2013. Aos médicos, queixou-se sempre de cefaleias, mal-estar geral, vómitos e perdas de consciência. Também não controlava a urina, mas os médicos garantiam que a jovem sofria de "estados de ansiedade" e davam-lhe alta no mesmo dia sem nunca a submeterem a uma TAC ou ressonância magnética. Em janeiro de 2013, Sara foi encontrada morta em casa e a autópsia revelou um tumor cerebral.

 

Roberto Bessa Moreira /TVS



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