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No dia em que Gaspar apareceu de cú para o ar...
20/06/2013, 17:21

Escreve Celso Neto | Opinião | Os artigos publicados nesta secção são de exclusiva responsabilidade dos seus subscritores e não vinculam a opinião do TVS.


Contava a minha avozinha que em certo lugar recôndito, lá para as bandas da serra de S. Macário, vivia um rapazinho chamado Gaspar, simplório e violento, que não dava tréguas aos habitantes da aldeia... tais e tantas eram travessuras e patifarias que lhes fazia.
Insensível, matreiro e mentiroso era um verdadeiro flagelo que perturbava constantemente a pacatez daquelas pessoas trabalhadoras e sérias. Chantageava aquela modesta e ordeira gente exigindo-lhe uma significativa parte das colheitas, a troco de não concretizar a ameaça de destruição total das sementeiras.
Beneficiava da proteção de um opulento proprietário, pelo que as pessoas tinham medo de o enfrentar e, por causa disso, iam tolerando as suas diabruras...
Mas... certo dia, ao cair da noite, quando regressava a casa sorridente, depois de ter cometido diversos abusos, foi interpelado por um grupo de habitantes que haviam combinado sair-lhe ao caminho para um "pedido de explicações", para o "conto vigário" de que haviam sido vítimas.
Perante a sua recusa, um deles pediu-lhe que baixasse as calças (como ele ordenava aos mais fracos) e ficasse de cú pró ar... Depois de, sem êxito, os tentar fazer cair em "novo logro" acatou o pedido, tendo permanecido toda a noite nessa posição, por exigência dos aldeãos que não arredaram pé!
De manhazinha os que saíram de casa para os campos, ao verem aquele "espetáculo" rocambolesco gritaram em uníssono: - Olhem o Gaspar de cú pró ar!
Sem demoras, um deles colocou-lhe um cravo no cú, enquanto outro lhe amarrava umas latas velhas à cintura, de forma que quando corresse, elas lhe batessem no dito.
Um outro informou-o que ia contar até três, para que se pusesse às de Vila Diogo...

Ainda a contagem ia no "um" e já o Gaspar corria desalmadamente rua abaixo, a uma velocidade estonteante, à procura de um caminho que o levasse para bem longe dali...
A história termina com o seu desaparecimento definitivo da aldeia, que passou a ter paz e sossego.
Todos ficaram muito felizes, e em dias festivos ouve-se cantar nas ruas:
No manhã em que o Gaspar
Apareceu de cú para o ar
Depois de noite de Lua cheia...
Foi uma festa na aldeia!
Passou a haver sossego
Acabou o medo
Voltou a alegria
... foi um grande dia!



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